quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A MJ está sem cabelo...

Biópsia, operação, internamento e agora quimioterapia. Na casa dos 40 anos. É incrível a força dela, a coragem com que agarra o "touro pelos cornos", a calma e optimismo que transmite. Eu acho que acreditar na cura é meio caminho andado para as coisas correrem bem, para se viver bem com o problema, para aproveitar a companhia dos outros, para não os preocupar demasiado, para lhes dar força (ironia das ironias, o doente a dar força aos outros...).
Mas penso... Como está mesmo ela? Será que se sente mesmo assim? Como se lida com a possibilidade de uma partida antecipada? Porque se a morte vier sem "se estar à espera" não há a possibilidade de pensar em tudo o que se deixa. Os que ficam têm de lidar com o "choque" da situação; quem parte não sabemos... Mas nestes casos em que há a possibilidade real de tudo correr mal, como se aceita a ideia? Pânico? Revolta? Indiferença? Dádiva? ...
A MJ é minha prima, mas eu não sou muito próxima dela. Não sei de onde vem aquela força, se é mesmo assim que ela se sente ou quer acreditar que sente. Espero que ela faça uma "pega perfeita", que imobilize o touro; porque o cabelo pode sempre voltar a crescer.

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