segunda-feira, 23 de agosto de 2010

eu também não percebi ... mas o mal está feito!

Eu ia disposta a colocar uma pedra sobre o assunto... Eu estava magoada. Há atitudes que não se esperam daqueles que nos conhecem bem, sabem o que sentimos, como pensamos e como reagimos. Achava que estava a ser uma criança, que tinha interpretado mal o que vi e que isso não tinha importância. Já tinha pedido desculpa a toda a gente... Não estava preparada para ouvir rebentar uma bomba ainda maior. A explosão foi tão grande que eu nem tive reacção, ri-me feita parva. Mesmo assim tentei fazer o ia para fazer... Mas custou tanto continuar com aquele teatro. Como é que podiam achar que eu sabia? Como é que todos falaram comigo como se eu soubesse? Como é que andaram a fazer de mim parva mais de uma semana? Como é que podem ter abusado tanto da minha confiança? Como é que a minha melhor amiga foi capaz de ir embora sem me dizer nada?
Comecei a juntar as peças, a rever tudo o que tinha acontecido, a pensar como fui parva e tola. A ver aqueles olhos de "pena" (?) a olharem para mim, a magicar nas conversas e nas atitudes... Começou um crescente de raiva dentro de mim. Um monstro tão feio e tão grande que me faz amarga e me transforma num ser desprezível... Eu não preciso que se arrependam e peçam desculpas ou tenham pena de mim. Estou anestesiada. Não sinto nada. É bom...
Eu preciso que não esperem nada de mim, porque é isso que vão ter... Não vão existir conversas nem manifestações de preocupação da minha parte. São mais velhos que eu, encarem a idade e a vida que têm, e resolvam, com consciência, os pseudo-problemas. Acho uma hipocrisia andarem a falar em "confissões" e idas para o "inferno", quando são ateus. Acho uma hipocrisia esperarem que tudo possa ficar bem. Acho uma hipocrisia esperarem que seja benevolente.
Ele manda-se para o caralho ... Eu nem tinha nada com ele. quando muito andava iludida e baralhada das ideias por causa de algumas conversas e sentimentos antigos. Mas ela? Como foi capaz? Ela não podia... Ninguém faz o que não quer; não há desculpa...
Eu gostava de não ser tão desprezível e fria. Gostava de fazer o que todos estão à espera que faça. Gostava de conseguir desculpar e de poder ajudar... Mas não posso. Não tenho vontade, não tenho capacidade e não tenho jeito para representar. Para nosso bem, às vezes, temos que bloquear certas situações e pessoas da nossa vida. Se não o fizemos o monstro não desaparece!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

não percebi nada disto, mas que importa?


A vida pode ser muitas vezes (ok, é), um grande carrossel, um imprevisto contínuo, um desenrolar de surpresas que se sucedem umas às outras a um ritmo e a uma velocidade que nos deixam sem fôlego e com tonturas. Com a sensação de que algo nos escapou, algo de muito importante. Como se fossemos um pescador no meio de um cardume cuja rede fosse muito pequena, por muito que se esforce não vai conseguir apanhar todo o peixe, mas como quer (queremos) apanhar tudo, acabamos por perder o resto, em vez de parar, pensar e escolher e ir atrás da escolha. Certa ou errada, isso são contas de outro rosário como dizia o meu amigo.

Sim a vida às vezes pode ser lixada, porque convenhamos, escolher entre muitas coisas boas, ou pessoas que gostamos… exacto: uma bela de uma treta pegada.

E porque nem sempre, por muito racionais que sejamos, conseguimos tomar controlo da situação. Porque somos vulneráveis, porque apesar de seres extraordinários, sim, as pessoas são seres extraordinários capazes do melhor, mas também do pior (!), e mais surpreendente, é que são capazes de ambas as coisas no mesmo momento. Porque todos nós temos as nossas fraquezas, as nossas vulnerabilidades, as nossas incertezas, o Aquiles tinha o calcanhar, o resto da humanidade tem um “pouco” mais do que apenas o calcanhar como fraqueza.

E sim, fazemos asneira da grossa, mesmo grossa, com a maior das facilidades…

E então? É mau, mas não é isso que nos define. O meu grande e velho amigo Balboa, diria que o que nos define não é o número de vezes que caímos, mas sim a capacidade que temos de nos levantar depois de cada queda e de voltar a tentar, forte e feio, o melhor que conseguirmos.

Magoamos? Sim, magoamos muitas pessoas com os nossos erros, é verdade! E não tem justificação. Mas pode ter perdão, porque apenas alguém que nunca erre se pode reservar o direito de não perdoar!

E quantas vezes não são aqueles que mais amamos que saem mais magoados? São sempre esses os que sofrem mais com as nossas asneiras… para além de nós mesmos claro. Mas o perdão é sempre possível. As transformações serão inevitáveis, é mais que certo. Mas quando a amizade, e a amizade é uma forma de Amor, e forte e verdadeira, quando se partilharam anos, quando se viveu tanto e tão intensamente, será que vale a pena deixar tudo a perder? O outro desgraçado do Pródigo, rebentou o dinheiro do Pai em putas e vinho verde… e o Pai fez-lhe uma festarola valente quando ele regressou a casa…

O perdão é a mais profunda manifestação de amor… mesmo que a dor seja grande e o sentimento de traição seja horrível, é preciso pesar o que se perde o que se ganha. E perceber se aquilo que se abdica (quantas vezes por algo menor), vale mesmo a pena…

sábado, 7 de agosto de 2010

...

É sempre chato ser magoado.
É particularmente mau quando quem nos magoa nos é próximo e anda tão centrado em si mesmo que não vê o mal que fez ou não quer saber.
É difícil desculpar algumas coisas...