segunda-feira, 29 de junho de 2009

O que foi e o que é

Às vezes sonho contigo (ou com os outros que já partiram). A minha mãe diz sempre que quando sonhamos com os nossos mortos é porque eles estão a precisar de uma oração, para poderem continuar a sua jornada "lá em cima".
O sonho varia (o teu e o dos outros). Por vezes recordo tudo: o tom de voz, o toque, o cheiro, a maneira de ser, as canções, as brincadeiras de infância, as rabanadas, a casa sempre aberta, o lenço na cabeça e por aí fora. Outra vezes o sonho é perturbador, vejo-te como da última vez, naquela existência que já não é sermos nós, naquela linha ténue entre o que foi e o que há-de vir, naqueles olhos baços e inexpressivos. É assim contigo (bem sei que em vida era consigo) e com os outros.
No entanto, os sonhos e as recordações são cada vez mais escassos. É precisamente isto que me inquieta na morte: o esquecimento. Não me lembro tanto de ti nem sonho tanto contigo. Habituei-me a viver sem ti; pouco a pouco, é como se não tivesses existido. Mas eu sei que exististe, estavas cá (tu e os outros) e não foi assim há tanto tempo. A vida continua, a dor diminui e acomodamo-nos com a ausência. Ño entanto, não deixa de ser assustador, como alguém que nos foi tão próximo e tão querido, possa ser assim tão pouco recordado. Quando abandonamos as recordações (boas e más), quando não houver ninguém que se lembre de nós, é como se não tivessemos existido. Não somos famosos, não nos encontramos nos livros de história nem na Wikipédia, quando as nossas pessoas partirem, quando já ninguém se lembrar de nós é como se nós não tivessemos sido. É esta uma problemática da morte. Não conhecemos outra vida, outras pessoas, outra forma de estar. Como pode fazer sentido tudo acabar e nós perdermos a nossa "importância", o nosso ser, a nossa essência, a nossa alma? É só mais uma manifestação do egocentrismo do ser humano?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Superjacto

Fechou a água

Cortou o gás

Porta trancada

Nem olhou para trás

Num superjacto durado

Vai rasgando a noite má

Do outro lado da Terra

Já deve ser de manhã

A chuva cai

Enquanto eu deixo o emprego

Mais um dia, mais um ai

Mais uma sopa e um prego

E um calendário antigo

Com palmeiras a acenar

Leva-me a sonhar contigo

Leva-me a sobrevoar

Um mar verdinho de esperança

Que ao de leve beija a praia

Quem em dera estar por lá

E amar-te nessa areia

São estes meus sonhos

São estas as minhas dores

Que me fazem sofrer mais

Mas tudo tem que ter um fim

O amor é fogo que arde

Vou voar para o pé de ti

Antes que o fogo se apague

Antes que o fogo se apague

Tranquei a porta

Cortei o gás

Olhei em volta

Não voltarei atrás

Num superjacto dourado

Vou rasgando a noite má

Do outro lado da Terra

Já deve ser de manhã


Letra:: Tim

Música:: Xutos & Pontapés

Resolvido um dos maiores mistérios da Humanidade...

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é
que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho,
ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois
punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.
Finalmente instruía-te: "nunca te sentes numa casa de banho pública!"
E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a
sanita na posição de “sentada” sem que o teu corpo tenha contacto com
o tampo.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina,
importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas
ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é
dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está
quase a rebentar.

Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila
enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por
isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras
mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na
posição oficial de
tou aqui tou-me a mijar!

Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não
aguenta mais (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou
passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada
cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.
Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a
pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não
importa, penduras a mala no gancho que há na porta QUAAAAAL? Nunca há
gancho! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos
e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no
pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça
te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que
foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria
das quais não usas, mas que tens no caso de …
Mas, voltando à porta como não tinha fechadura, a única opção é
segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num
instante e pões-te “na posição”.

AAAAHHHHHH finalmente, que alívio mas é aí que as tuas coxas começam a
tremer porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com
as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas,
um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a
cortar-te o pescoço!

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem
a tapaste com papel. Interiormente achas que não iria acontecer nada,
mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *nunca te sentes numa
sanita pública* e então ficas na posição de aguiazinha , com as pernas
a tremer e por uma
falha no cálculo de distâncias, um finíssimo fio do jacto salpica-te e
molha-te até às meias!!
Com sorte não molhas os sapatos é que adoptar “a posição” requer uma
grande concentração e perícia.

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel
higiénico, mas não hááááá!!! O suporte está vazio!
Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que
tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel
mas, para procurar na tua mala, tens de soltar a porta. Duvidas um
momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a
empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada
mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco
enquanto gritas OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!
E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes
soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as
mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas
não importa, fazes tudo para esticá-lo, finalmente consegues e
limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e
molhas a mão toda, ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar
o maldito lenço.
Ouves algures a voz de outra mulher nas mesmas circunstâncias que tu a
perguntar, “alguém tem um pedacinho de papel a mais?”

Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da
mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da
tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim porque ela
nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que
doenças podes apanhar
ali, que até podes ficar grávida (lembram-se?). Estás exausta! Quando
paras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidamente e puxas o
autoclismo.
E lá vais tu pró lavatório. Está tudo cheio de água ou será xixi?
(lembras-te do lenço de papel), então não podes soltar a mala nem um
segundo, pendura-la no ombro. Não sabes como é que funciona a torneira
com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de
água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de
Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.
Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim
secas as mãos nas tuas calças porque não vais gastar um lenço de papel
para isso e sais.

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa
de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís
Borges enquanto te esperava.

Mas por que é que demoraste tanto? - pergunta-te o idiota. Havia uma
fila enorme - limitas-te a dizer.

E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho,
por solidariedade! Uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta
e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito
mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter “a
posição” e a dignidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vieste do nada.

Caíste não a minha vida como uma estela cadente que procura o azul do mar.

Trazias contigo alegria, um sorriso doce e meigo e paciência e tempo para mim.

Foste durante muito tempo a minha companhia, a minha alegria, o motivo das minhas preocupações e tristezas. Mas sobretudo das alegrias e dos meus sorrisos.

Eras o cofre dos meus segredos.

Mas a vida e marota e prega-nos partidas.

Afinal, tu eras uma estrela cadente, e as estrelas cadentes não são para ter, são para contemplar e observar ao longe. Eu não consigo acompanhar a tua viagem. A Força que me move, não te diz nada e empurra-me para outras direcções. E tu queres é continuar a tua viagem, livre e desprendida. Bela, veloz e brilhante como só uma estrela.

Fica apenas a memória dos dias em que eu te podia ter para mim sempre que a noite ofuscava a luz dos meus dias. Tenho que ir à procura de outra luz, ou da Luz quem sabe.

A ti minha querida, não vou dizer nem adeus. Porque o universo é grande e podemos sempre cruzar-nos por aí um dia.

Talvez tenha forças para te devolver um sorriso, sem que percebas que no fundo vou sentir sempre a tua falta, e que me afastei para te ver brilhar.

domingo, 14 de junho de 2009

A Fé está nas fotografias...

A pessoa entra na Igreja tira uma foto ao altar moderno, fala alto como se estivesse no meio da rua e vem embora. Fica cumprido o princípio, a promessa ou seja o que for. Foi-se a Fátima e tem-se o retrato para comprovar.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Estraga-se só uma casa...


Eu ia fazer uma comentário e falar do estilo dos dois, do modo de vida, dos tais milhões de euros que os fazem superiores ao comum dos mortais. Mas depois vi a foto e pensei "Coitadinhos!". E logo eu, que até nem me tenho em grande conta...

Mais detalhes aqui ou aqui.

*A respeito dos posts abaixo. A SIC fala agora da pandemia. Mas já disse que mais à frente vamos ver as férias do craque do momento nos EUA. Será que a Paris também aparece!?

Continuação...

E depois vem o Miguel Sousa Tavares dizer coisas como (a respieto do avião):
"Toda a gente sabe que naquela zona, por cima do Recife, abana que se farta" ou "seria importante que encontrassem as caixas pretas". E passa-se rapidamente ao resto da actualidade, para voltar a falar do CR/ depois do intervalo e no fecho do jornal.

É que já não há paciência...

Para o Cristiano Ronaldo, o seu salário milionário, os amigos (?) de há não sei quantos anos, a família, o estilo apaneleirado, as imagens com não sei quantos anos, as reportagens com entrevistas repetidas, as 1001 formas de gastar os euros, o valor ou não do senhor, o estatuto de Rei do Futebol acima do comum dos mortais, os conhecidos (?) da Madeira...
As notícias abriram há cerca de 20 min e não se fala de outra coisa. Só a RTP liga à pandemia(?) da gripe, ao jovem* que desapareceu no mar ou ao avião que caiu na semana passada.

*Já agora este gente é meia parva. Desculpem se firo susceptibilidades, mas TODOS os anos acontece a mesma coisa. Começa nas mini-férias do Carnaval ou da Páscoa, vem o Sol o pessoal vai para a praia. Tudo bem. Mas se não foi vigiada não vão para o mar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Agradecimento Especial


Quando se chega a um dia como o de ontem, e nos sentimos tão mimados e tão queridos por quem nos rodeia, não há palavras para o descrever.
A todos um muito obrigado...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Princípio do fim



Passamos uma vida a fazer projectos.

À procura do nosso lugar no mundo, do nosso sentido, da nossa vocação, da felicidade, chamem-lhe o que quiserem. A verdade é que andamos sempre à procura.

E quando encontramos?

Dizia uma personagem de um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos “sou como um cão que persegue carros, persigo-os, mas se os alcançasse não saberia o que fazer”.

            Temo que infelizmente sejamos um pouco assim, tanto procuramos, tantos planos fazemos, mas quando lá chegamos, o medo instala-se, as dúvidas surgem como abutres no deserto.

Hoje é o meu último dia de aulas daquele que é o penúltimo ano de estudo, para o ano é o fim da preparação para o futuro que escolhi. Já vai ser o lançamento, como diz o Godinho é o primeiro dia do resto da minha vida. E sinto um calafrio, arrepio-me todo de pensar no que ai vem.

Não me sinto preparado. Quero-o. Mas não sei se sou capaz. Sinto-me pequenino, tal como fica o meu coração quando penso no que aí vem. A responsabilidade, o desafio… tudo deixa de ser um sonho e passa a ser realidade.

Tanto que queria que deixasse de ser um sonho, que deixasse a fase do projecto mas agora que finalmente chego ao fim, sinto que não me preparei devidamente, sinto que os meus planos estão todos errados e que eu estou perdido. Não me sinto capaz de erguer o plano que ansiei para mim.

Sempre tive noção de que havia dado um salto no escuro. De cabeça, tinha medido as distâncias. Mas tão alto era o salto que acho que no fundo nem tinha noção de que iria ter que enfrentar o chão. E quando pensava nisso confiava que ou me nasceriam asas e eu poderia planar suavemente (ou não) até ao chão; ou então eu aprenderia a voar como vemos nos filmes; mas eu não sou de acreditar no filmes, pelo menos dos super poderes e assim. Sonho com eles apenas isso. Por isso a minha predilecção pelo morcego, não tem super-poderes, conta consigo.

No meio do salto imaginei que teria ao menos uma capa como a dele, e talvez um fato como o dele para enfrentar a queda.

Agora percebo, ele tem o dele e eu terei que arranjar o meu, não terei o Mr. Fox, não terá tecnologia de ponta, nem será super fixe.

Mas vai ter que funcionar melhor.

O fim aproxima-se e já vejo o chão sorrir para mim, é altura de fazer força e preparar-me…

 

quinta-feira, 4 de junho de 2009