quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

Bom Natal

sábado, 21 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Leave-me

Leave Me from Daros Films on Vimeo.

Não há palavras para explicar o que se sente ao ver isto.

É de uma beleza e de um amor fora de série.

Amor... ponto final

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

...

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A verdadeira Amizade

A VERDADEIRA AMIZADE FEMININA

Sofia ia a sair do cabeleireiro e encontrou a Carla na rua:

- Olá, Sofia!!! Cortaste o cabelo?
- Cortei, que achas?
- Estás muito gira, estás 10 anos mais nova. Essas madeixas ficam-te muito bem, está mesmo muito giro, vou fazer umas iguais!
- Ó Carla, é impressão minha ou estás mais magra?
- Sabes, fiz uma pequena dieta agora para o verão…
(meia hora de conversa depois…)
- Olha Sofia, querida, tenho de ir, adoro-te! Beijinhos e dá cumprimentos ao teu namorado!
- Carla, gostei de te ver, beijinhos…

Carla sai pensando: ..Como esta gaja ficou ridícula com aquele corte de cabelo! Será que ela não se vê ao espelho?
Sofia sai pensando:
.. Esta Carla está cada vez mais gorda! Deve estar a morrer de inveja do meu penteado. Ainda quer fazer um igual? Ela que pense em emagrecer primeiro!


A VERDADEIRA AMIZADE MASCULINA

O Luís ia a sair do barbeiro e encontra-se com o Pedro:

- Então Luis, seu paneleiro! Como é? Foste à tosquia?
- Não seu caralho… Fui só cortar as patilhas!
- Foda-se, que merda de corte é este? Pareces um rabeta. Acho que andas a levar com ele!…
- É… Mas a tua namorada gosta!
- Vá porta-te!…ah, manda um beijo p`ra boazona da tua irmã, ok?
- Vai-te foder boi! Não tens piça para ela! Xau fica bem!

Pedro sai pensando: .. Este gajo pah… Cinco estrelas!
Luis sai pensando:
Este caralho não muda…. é um espectáculo!

sábado, 26 de setembro de 2009

Quando o tempo não chega...

... e os amigos não se encontram como desejariam sabe tão bem, mas mesmo mesmo mesmo bem aquele sms ou aquele telefonema. E se incluir o Use Somebody, live and acoustic? Ainda melhor :)

Obrigada por seres um amigo assim; e desculpa as minhas SÉRIAS lacunas nestas áreas :D
*(Eu sei que devia ter vergonha, mas quem inicia o "contacto" é sempre ele :p)
Pretendia fazer aqui um post todo bonito para desejar boa sorte para o "estágio" e dizer que vai tudo correr bem no futuro (eu sei que tu sabes que eu sei que vai :p no fundo sabemos os dois...). Fico apenas pelo desejo de boa sorte; com trabalho e coragem tudo se consegue e se há alguém que merece tudo, és TU!!! Portanto (apesar de algumas pessoas meio atrasadas que te mantém às escuras...) vais ser excelente, menos não será de esperar!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia de merd@, o verdadeiro

Sempre gostei muito do Jardim Botânico, desde que cá cheguei que gosto de dar por lá umas voltas.
Principalmente nesta altura do ano, as folhas ganhamnovas tonalidades. Diferentes do verde forte do verão.
Dir-se-ia que perante a iminência da sua morte anunciada, querem mostrar toda a sua força e toda a sua pujança, aquilo de que são capazes.
Parecem querer mostrar ao mundo aquilo que de melhor sabem fazer, como que num ultimo sopro de vida.
Ora, no sábado lá estava eu a apreciar uma das minhas árvores favoritas, as folhas parecem estrelas e começam a ganhar um vermelho lindo.
E lá estava eu debruçado sobre aquilo que parece uma varanda que dá vista pelo chamado Quadrado Central, quando ouço barulho estranho bem por baixo da zona onde estava.
O sítio é frequentado por muitos casalinhos em namoro, mas mais na primavera.
Quando decido investigar - isto é, olhar para baixo - vejo a careca de um senhor de idade já mais que meia, que lá estava mas não percebi bem a fazer o quê.
Até que de repente, percebo que o homem se estava a levantar e a puxar as calças para cima...
É preciso ter sorte...

No mesmo dia, mais tarde no meu passeio post-almoço, lá venho eu descansado da vida, a saborear a cidade, doce Coimbra, quando passo por uma t-Shirt novinha no chão, junto de uma árvore.
Curioso pego-lhe pela etiqueta para observar o fenómeno, e percebo imediatamente o motivo da t-shirt estar ali. Era uma t-shirt com uma missão!
Protegia delicadamente um monte de merd@ que alguém, e n era animal, ali deixara.. em pleno jardim com vista para avenida do Botânico.
Mas anda tudo doido ou quê?
-Tu dás-te bem com o ****? - pergunta-me o João á socapa ontem.
-Sim dou, porquê?
(...) vivo com ele à seis anos, nunca tivemos problemas, damo-nos bem, somos amigos.,
Cada qual tem os seus gostos, mas nunca chocámos.

-Ah, é que a conversa que ouvi, ele tava a falar de ti - tanto quanto percebi - e não era lá muito amigável....

Toma lá que é para aprenderes....


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Random thoughts

Às vezes acontecem coisas boas e não sabemos porquê. Eu não sei se o mereço, não fiz nada de especial, não compreendo como tal situação pode estar a acontecer. Terminei o curso há um ano e tal, não tenho experiência mas tenho, neste momento, colocação até ao final do ano lectivo numa escola perto de casa. Os meus colegas mais velhos só conseguiram uma colocação assim agora. O que me leva a perguntar: que m*rd@ estará para acontecer em breve? (um processo? um recurso? um despedimento? um acidente?...)
Porque não pode correr assim tudo bem de uma só vez. Ou pode?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o grande, o enorme, o meu heroi

Regresso a Coimbra

Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
Regressei a Coimbra.
Sou finalista.
trago no saco a saudade de um Verao diferente, divertido, com experiências novas.
Sim, trago uma guitarra nova, que a Rosa adora mas não admite... e os vizinhos ainda não se queixaram.
trago também o medo e o receio de um futuro que se avizinha cada vez mais próximo e mais assustador; mas também mais desafiante.
É um bom começo sim.
A rosa conseguiu trabalho e ouca da nossa amiga Blondie está num projecto melhor, optimas desculpas para mais uma noite de copos e gargalhada.
Venha o novo ano, venha o futuro, venha o amanhã e o desconhecido.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Contagem decrescente...

Os pontos altos das férias:
- Os concertos de Verão (Keane e JPP);
- A família (os bebés!!) e os amigos;
- A semana na praia;
- As idas ao cinema;
- O Azul a tocar guitarra (e a "ensurdecer" os vizinhos - atenção que ele toca e canta bem, só é muito alto :p );
- As noites quentes.

O pior das férias:
- O desconhecido, que espera lá à frente;
- O não saber muito bem o que fazer.

Mas ainda cheira a Verão e nós somos TODOS tão novos...




*É pena a qualidade do vídeo não ser a melhor...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O que foi e o que é

Às vezes sonho contigo (ou com os outros que já partiram). A minha mãe diz sempre que quando sonhamos com os nossos mortos é porque eles estão a precisar de uma oração, para poderem continuar a sua jornada "lá em cima".
O sonho varia (o teu e o dos outros). Por vezes recordo tudo: o tom de voz, o toque, o cheiro, a maneira de ser, as canções, as brincadeiras de infância, as rabanadas, a casa sempre aberta, o lenço na cabeça e por aí fora. Outra vezes o sonho é perturbador, vejo-te como da última vez, naquela existência que já não é sermos nós, naquela linha ténue entre o que foi e o que há-de vir, naqueles olhos baços e inexpressivos. É assim contigo (bem sei que em vida era consigo) e com os outros.
No entanto, os sonhos e as recordações são cada vez mais escassos. É precisamente isto que me inquieta na morte: o esquecimento. Não me lembro tanto de ti nem sonho tanto contigo. Habituei-me a viver sem ti; pouco a pouco, é como se não tivesses existido. Mas eu sei que exististe, estavas cá (tu e os outros) e não foi assim há tanto tempo. A vida continua, a dor diminui e acomodamo-nos com a ausência. Ño entanto, não deixa de ser assustador, como alguém que nos foi tão próximo e tão querido, possa ser assim tão pouco recordado. Quando abandonamos as recordações (boas e más), quando não houver ninguém que se lembre de nós, é como se não tivessemos existido. Não somos famosos, não nos encontramos nos livros de história nem na Wikipédia, quando as nossas pessoas partirem, quando já ninguém se lembrar de nós é como se nós não tivessemos sido. É esta uma problemática da morte. Não conhecemos outra vida, outras pessoas, outra forma de estar. Como pode fazer sentido tudo acabar e nós perdermos a nossa "importância", o nosso ser, a nossa essência, a nossa alma? É só mais uma manifestação do egocentrismo do ser humano?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Superjacto

Fechou a água

Cortou o gás

Porta trancada

Nem olhou para trás

Num superjacto durado

Vai rasgando a noite má

Do outro lado da Terra

Já deve ser de manhã

A chuva cai

Enquanto eu deixo o emprego

Mais um dia, mais um ai

Mais uma sopa e um prego

E um calendário antigo

Com palmeiras a acenar

Leva-me a sonhar contigo

Leva-me a sobrevoar

Um mar verdinho de esperança

Que ao de leve beija a praia

Quem em dera estar por lá

E amar-te nessa areia

São estes meus sonhos

São estas as minhas dores

Que me fazem sofrer mais

Mas tudo tem que ter um fim

O amor é fogo que arde

Vou voar para o pé de ti

Antes que o fogo se apague

Antes que o fogo se apague

Tranquei a porta

Cortei o gás

Olhei em volta

Não voltarei atrás

Num superjacto dourado

Vou rasgando a noite má

Do outro lado da Terra

Já deve ser de manhã


Letra:: Tim

Música:: Xutos & Pontapés

Resolvido um dos maiores mistérios da Humanidade...

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é
que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho,
ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois
punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.
Finalmente instruía-te: "nunca te sentes numa casa de banho pública!"
E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a
sanita na posição de “sentada” sem que o teu corpo tenha contacto com
o tampo.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina,
importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas
ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é
dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está
quase a rebentar.

Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila
enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por
isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras
mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na
posição oficial de
tou aqui tou-me a mijar!

Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não
aguenta mais (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou
passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada
cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.
Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a
pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não
importa, penduras a mala no gancho que há na porta QUAAAAAL? Nunca há
gancho! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos
e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no
pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça
te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que
foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria
das quais não usas, mas que tens no caso de …
Mas, voltando à porta como não tinha fechadura, a única opção é
segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num
instante e pões-te “na posição”.

AAAAHHHHHH finalmente, que alívio mas é aí que as tuas coxas começam a
tremer porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com
as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas,
um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a
cortar-te o pescoço!

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem
a tapaste com papel. Interiormente achas que não iria acontecer nada,
mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *nunca te sentes numa
sanita pública* e então ficas na posição de aguiazinha , com as pernas
a tremer e por uma
falha no cálculo de distâncias, um finíssimo fio do jacto salpica-te e
molha-te até às meias!!
Com sorte não molhas os sapatos é que adoptar “a posição” requer uma
grande concentração e perícia.

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel
higiénico, mas não hááááá!!! O suporte está vazio!
Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que
tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel
mas, para procurar na tua mala, tens de soltar a porta. Duvidas um
momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a
empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada
mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco
enquanto gritas OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!
E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes
soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as
mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas
não importa, fazes tudo para esticá-lo, finalmente consegues e
limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e
molhas a mão toda, ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar
o maldito lenço.
Ouves algures a voz de outra mulher nas mesmas circunstâncias que tu a
perguntar, “alguém tem um pedacinho de papel a mais?”

Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da
mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da
tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim porque ela
nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que
doenças podes apanhar
ali, que até podes ficar grávida (lembram-se?). Estás exausta! Quando
paras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidamente e puxas o
autoclismo.
E lá vais tu pró lavatório. Está tudo cheio de água ou será xixi?
(lembras-te do lenço de papel), então não podes soltar a mala nem um
segundo, pendura-la no ombro. Não sabes como é que funciona a torneira
com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de
água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de
Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.
Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim
secas as mãos nas tuas calças porque não vais gastar um lenço de papel
para isso e sais.

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa
de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís
Borges enquanto te esperava.

Mas por que é que demoraste tanto? - pergunta-te o idiota. Havia uma
fila enorme - limitas-te a dizer.

E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho,
por solidariedade! Uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta
e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito
mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter “a
posição” e a dignidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vieste do nada.

Caíste não a minha vida como uma estela cadente que procura o azul do mar.

Trazias contigo alegria, um sorriso doce e meigo e paciência e tempo para mim.

Foste durante muito tempo a minha companhia, a minha alegria, o motivo das minhas preocupações e tristezas. Mas sobretudo das alegrias e dos meus sorrisos.

Eras o cofre dos meus segredos.

Mas a vida e marota e prega-nos partidas.

Afinal, tu eras uma estrela cadente, e as estrelas cadentes não são para ter, são para contemplar e observar ao longe. Eu não consigo acompanhar a tua viagem. A Força que me move, não te diz nada e empurra-me para outras direcções. E tu queres é continuar a tua viagem, livre e desprendida. Bela, veloz e brilhante como só uma estrela.

Fica apenas a memória dos dias em que eu te podia ter para mim sempre que a noite ofuscava a luz dos meus dias. Tenho que ir à procura de outra luz, ou da Luz quem sabe.

A ti minha querida, não vou dizer nem adeus. Porque o universo é grande e podemos sempre cruzar-nos por aí um dia.

Talvez tenha forças para te devolver um sorriso, sem que percebas que no fundo vou sentir sempre a tua falta, e que me afastei para te ver brilhar.

domingo, 14 de junho de 2009

A Fé está nas fotografias...

A pessoa entra na Igreja tira uma foto ao altar moderno, fala alto como se estivesse no meio da rua e vem embora. Fica cumprido o princípio, a promessa ou seja o que for. Foi-se a Fátima e tem-se o retrato para comprovar.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Estraga-se só uma casa...


Eu ia fazer uma comentário e falar do estilo dos dois, do modo de vida, dos tais milhões de euros que os fazem superiores ao comum dos mortais. Mas depois vi a foto e pensei "Coitadinhos!". E logo eu, que até nem me tenho em grande conta...

Mais detalhes aqui ou aqui.

*A respeito dos posts abaixo. A SIC fala agora da pandemia. Mas já disse que mais à frente vamos ver as férias do craque do momento nos EUA. Será que a Paris também aparece!?

Continuação...

E depois vem o Miguel Sousa Tavares dizer coisas como (a respieto do avião):
"Toda a gente sabe que naquela zona, por cima do Recife, abana que se farta" ou "seria importante que encontrassem as caixas pretas". E passa-se rapidamente ao resto da actualidade, para voltar a falar do CR/ depois do intervalo e no fecho do jornal.

É que já não há paciência...

Para o Cristiano Ronaldo, o seu salário milionário, os amigos (?) de há não sei quantos anos, a família, o estilo apaneleirado, as imagens com não sei quantos anos, as reportagens com entrevistas repetidas, as 1001 formas de gastar os euros, o valor ou não do senhor, o estatuto de Rei do Futebol acima do comum dos mortais, os conhecidos (?) da Madeira...
As notícias abriram há cerca de 20 min e não se fala de outra coisa. Só a RTP liga à pandemia(?) da gripe, ao jovem* que desapareceu no mar ou ao avião que caiu na semana passada.

*Já agora este gente é meia parva. Desculpem se firo susceptibilidades, mas TODOS os anos acontece a mesma coisa. Começa nas mini-férias do Carnaval ou da Páscoa, vem o Sol o pessoal vai para a praia. Tudo bem. Mas se não foi vigiada não vão para o mar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Agradecimento Especial


Quando se chega a um dia como o de ontem, e nos sentimos tão mimados e tão queridos por quem nos rodeia, não há palavras para o descrever.
A todos um muito obrigado...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Princípio do fim



Passamos uma vida a fazer projectos.

À procura do nosso lugar no mundo, do nosso sentido, da nossa vocação, da felicidade, chamem-lhe o que quiserem. A verdade é que andamos sempre à procura.

E quando encontramos?

Dizia uma personagem de um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos “sou como um cão que persegue carros, persigo-os, mas se os alcançasse não saberia o que fazer”.

            Temo que infelizmente sejamos um pouco assim, tanto procuramos, tantos planos fazemos, mas quando lá chegamos, o medo instala-se, as dúvidas surgem como abutres no deserto.

Hoje é o meu último dia de aulas daquele que é o penúltimo ano de estudo, para o ano é o fim da preparação para o futuro que escolhi. Já vai ser o lançamento, como diz o Godinho é o primeiro dia do resto da minha vida. E sinto um calafrio, arrepio-me todo de pensar no que ai vem.

Não me sinto preparado. Quero-o. Mas não sei se sou capaz. Sinto-me pequenino, tal como fica o meu coração quando penso no que aí vem. A responsabilidade, o desafio… tudo deixa de ser um sonho e passa a ser realidade.

Tanto que queria que deixasse de ser um sonho, que deixasse a fase do projecto mas agora que finalmente chego ao fim, sinto que não me preparei devidamente, sinto que os meus planos estão todos errados e que eu estou perdido. Não me sinto capaz de erguer o plano que ansiei para mim.

Sempre tive noção de que havia dado um salto no escuro. De cabeça, tinha medido as distâncias. Mas tão alto era o salto que acho que no fundo nem tinha noção de que iria ter que enfrentar o chão. E quando pensava nisso confiava que ou me nasceriam asas e eu poderia planar suavemente (ou não) até ao chão; ou então eu aprenderia a voar como vemos nos filmes; mas eu não sou de acreditar no filmes, pelo menos dos super poderes e assim. Sonho com eles apenas isso. Por isso a minha predilecção pelo morcego, não tem super-poderes, conta consigo.

No meio do salto imaginei que teria ao menos uma capa como a dele, e talvez um fato como o dele para enfrentar a queda.

Agora percebo, ele tem o dele e eu terei que arranjar o meu, não terei o Mr. Fox, não terá tecnologia de ponta, nem será super fixe.

Mas vai ter que funcionar melhor.

O fim aproxima-se e já vejo o chão sorrir para mim, é altura de fazer força e preparar-me…

 

quinta-feira, 4 de junho de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ah e tal...

Como é ter 24 anos? É igual a ter 23 e parecido a ter 22.*



*com as devidas diferenças porque agora a vida é outra. Mas é igual. Feels the same. Ah e a minha idade volta a ser um número par. Gosto dos números pares ;)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nós e os pequeninos

Não sei bem como começar este post. Talvez com revolta. Revolta parece-me bem.
A vinda de uma criança ao mundo é, na maioria da vezes e felizmente, um momento muito ansiado e esperado pelos pais. Eu não sou mãe, nem lá perto, mas conheço quem tenha bebés e é realmente um momento mágico. Espera-se que nada de mal aconteça àquele bebé e que se consiga protegê-lo de todo o mal do mundo. Este sentimento é natural, tão natural que nós próprios tendemos a proteger os irmãos mais novos (quando não estamos zangados com eles), os primos, pais, avós, amigos, etc. Não gostamos quando dizem ou fazem certas coisas às nossas pessoas, ficamos revoltados.
Hoje em dia vê-se de tudo. O ritmo de vida actual da nossa sociedade (que nem é dos mais puxados do mundo.... em alguns países a população não frequenta espaços de divertimento nocturnos durante a semana e onde ao fim-de-semana a maioria das lojas e supermercados está fechada...) não permite que os pais passem tempo a educar e incutir valores nos seus filhos. Muitos deles passam demasiado tempo sozinhos. Não têm noção dos seus limites, das regras mínimas de educação; não respeitam o seu espaço nem o dos outros. Eu por um lado percebo, os pais não estão com os filhos e tentam (justificadamente) encontrar formas de compensar a ausência. Pode não ser o melhos método, sei, por experiência própria, que não o é, mas cada um faz o que pode. O que me parece é que além dos precalços da vida, muita desta boa gente não pensou bem o que implica o papel de mãe/pai. Mas ao menos esforçam-se e acredito que alguns façam o melhor que podem e sabem, e quem faz isso não merece ser criticado.
No entanto, há pais que não têm a mínima apetência para ter filhos. Na minha opinião deviam tomar precauções para nunca serem pais. Não estou a falar do aborto (que é outra longa história), estou a falar, por exemplo, do uso de contraceptivos ou medidas mais radicais. Pais que desprezam por completo as crianças e as tratam mal, pais que as obrigam a trabalhar ou exercem sobre elas qualquer tipo de violência. Nestas situações a responsabilidade por uma ida integra e plena deixa de ser dos pais e alguém tem que intervir, salvar aquela criança do meio onde vive, para que possa ter perspectivas de um futuro melhor. Muitas vezes o próprio estado é levado a intervir; a maioria das vezes faz merda. É o que passa com a Alexandra. Como é que ocorre uma coisa destas? Imaginemo-nos nós, adultos, a ir para um país desconhecido com uma pessoa que abusou de nós, sem falar uma palavra que seja daquela língua esquisita e deixando para tráz que nos deu amor e carinho? O que não há-de ir na cabeça e na alma daquela menina. Como é que uma coisa destas acontece?
As Alexandras, Joanas, Madddies, Esmeraldas, os Ruis Pedro (cada caso diferente, eu sei) merecem mais de nós. Merecem mais da nossa sociedade, do estado. Precisam de alguém que lute por eles, que lute com ou contra os pais. Que os salve e os deixe ter oportunidades.
Que futuros adultos andamos nós a criar, num pseudo-país desenvolvido? Quem vão ser os adultos de amanhã?
Basta entra numa escola básica (atenção que também lá há coisas boas, muito boas) para temermos e pensarmos: Quando eu for velhinho, o motor da sociedade é isto? Que diferença vou eu fazer com os meus pseudo-filhos?
Que revolta pela bandalheira em que vivemos...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Deficiências

'Deficiente' é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.


'Louco' é quem não procura ser feliz com o que possui.


'Cego' é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.


'Surdo' é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.


'Mudo' é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

'Paralítico' é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda.

'Diabético' é quem não consegue ser doce.

'Anão' é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

' A amizade é um amor que nunca morre'
.

Mário Quintana


*via e-mail

domingo, 17 de maio de 2009

Coisas do fim-se-semana

A tragédia da minha vida romântico-amorosa...

No dentista
Eu: - Eu hoje não quero levar anestesia. Hoje não a deixo fazer nada que seja para levar anestesia, não me apetece.
Dentista: - Oh Rosa, mas você está grávida?
mais tarde na mesma consulta...
Dentista: Você anda a beijar alguém que fuma?

De volta a casa
Vizinho: - Então correu tudo bem? Já acabaste os exames? E o trabalho?
(A conversa do costume...)
E então quando é que arranjas um rapaz e te casas? Já é tempo. Eu tinha gosto em ir ao teu casamento. Ainda mais agora com o curso acabado...

As pessoas devem achar que ter/encontrar um namorado é como ir ao supermercado fazer as compras da semana, comprar uma peça de roupa ou um par de sapatos. Se não temos namorado, ninguém percebe porquê, somos umas tristes e umas encalhadas. Uns trombolhos que ninguém quer e que vão ficar solteiras e sozinhas a vida toda. Não seguimos a lei da natureza: tirar um curso, arranjar emprego, casar e ter filhos (não necessariamente por esta ordem); o tempo passa e o relógio não pára... Por outro lado, se nos conhecem mais de dois ou três namorados somos umas vadias (putas), umas oferecidas (putas), umas cabeças no ar (putas), no fundo umas putas.
Eu digo sempre que prefiro ficar sozinha a aturar um bêbedo, um homem violento, um gajo que passa a vida nos copos e com os amigos(as). Estar sozinha não é necessariamente mau. Estar sozinha não é sempre bom. Mas a ter que viver como certos casais que conheço, prefiro estar sozinha, prezo a minha liberdade e o meu orgulho mantém-se intacto. Também não há problemas com a teimosia e o mau feitio. Ou isso ou encontrar uma namorada. Aí acabavam os stresses do casamento e dos filhos. Era só a (puta da) ovelha ranhosa que ia contra as leis do universo e da Igreja, que comia gajas, não podia casar nem ter/adoptar filhos. De uma forma ou de outra, quem está de fora, arranja sempre forma de criticar (ainda mais nos meios pequenos).

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Coisas que me tiram do sério... (II)

Parabéns! Conseguiu restabelecer a ligação com o msn (ou qualquer coisa do género) é a mensagem que nos deixa a resolução de problemas, que às vezes não existem*, do msn.
E eu penso: "Boa pá! No fim de ligares e desligares 20 vezes, eu mereço os parabéns pela paciência."
Esta frase irrita-me solenemente.

*não existem porque o skype funciona e o firefox também...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Porque

isto anda muito parado, não há tempo para nada. Mas no Sábado vamos vê-los, eu e o Azul e vamos dar uma volta, que é uma coisa que não fazemos há muito tempo e merecemos! :p



*Se bem que acho que a vocalista agora não é a mesma. A ver vamos...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E esta ein?

A Rosa chamou-me a atenção apra este vídeo, eu tinha visto nas notícias, mas como estava ausente da internet não sabia por isso desculpa lá Rosinha.
Serve o presente vídeo par anos lembrar, mais que as aparências iludem.
Isso já todos sabem, ou não...
Serve para relembrar que todos podemos e conseguimos o nosso sonho. Todos temos direito a sonhar e a lutar por ele.
Só não conseguiremos se nos deixarmos dominar pelo medo, pela vergonha ou pelo que os outros possam pensar de nós.
Esta senhora calou o mundo....

sábado, 18 de abril de 2009

Coisas da vida

Às vezes a vida dá-nos um presente que não estamos preparados para abrir. Quando finalmente temos coragem e perdemos o medo, o presente já não tem o mesmo encanto, avançou e nós ficámos para tráz.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pensamentos Aleatórios

#1: Temos medo do que não conhecemos, logo tememos a morte.

#2: Que sentido tem a vida se tudo termina?

#3: Que sentido tem a morte quando se é jovem? Quando ainda se tem tanto para viver?

#4: Que sentido tem o que resta da vida quando esperamos a morte? Que sentido tem o que resta da vida, quando já não somos nós, mas o corpo vive?

#5: A morte é difícil de aceitar. Como é que podemos deixar de ser nós? Como se apaga a essência do que somos, do ser?

#6: A morte tem sentido quando ficamos sós, sem ninguém. Quando as pessoas que fazem de nós aquilo que somos desaparecem. Que ficamos nós a fazer? Desaparecer tem mais sentido, custa menos, liberta.

#7: Podemos pensar em morrer quando a vida não vai bem, quando não conhecemos alternativas, quando nos cansamos de viver.

#8: Que sentido tem a nossa vida se tudo termina? É por isso que não termina? Há algo mais? Mais de quê? Do bom ou do mau?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quando se sabe que o fim está a chegar...

Quando a morte se aproxima passamos pelas fases:
Negação, Raiva, Barganha (Negociação), Depressão e Aceitação



Ele sabia o que tinha e canta assim maravilhosamente, com entrega, com devoção, com esforço. Há lá melhor forma de encarar o Desconhecido?

*Também podes ouvir o The Show Must go on ou a Bohemian Rhapsody. Mas ouve mesmo, sente a música, vive a letra. Vibra com a entrega dele :)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

tudo o que sobe, desce

Tudo o que sobe desce. Tudo o que nasce morre.

São certezas que de tão banais se diriam dignas de La Palisse. Verdades que nos acompanham diariamente mas que, apesar de tudo, não parecem estar totalmente enraizadas, pelo menos naquilo que são as suas consequências totais.

Continuamos a ter medo da morte e de morrer. Sabemos, e brincamos, que é o que de mais certo temos na vida, mas chegado o momentos agarramo-nos à vida com força sobre-humana. Porquê?

Não queremos morrer. Temos medo desse desconhecido. Mas também ninguém quer ser velho. E numa sociedade como a nossa isso é cada vez mais patente. Ninguém quer ser velho, ninguém quer ser imortal. Mas também não se quer morrer.

Porque temos medo? O que assusta assim tanto na morte?

Um músico português da moda, diria que o que assusta não é a morte, mas sim a forma de morrer.

Talvez. Quantas vezes não ouvimos a expressão “não quero dar trabalho”.

Não queremos morrer. E compreende-se. Afinal de contas só sabemos viver. É a viver que encontramos sentido para a nossa vida. Ou será que é na morte que encontramos esse sentido?

A verdade é que conhecemos a vida e é isso que temos e é por isso que lutamos. Talvez isso represente mais um problema do que um bem em si mesmo. Talvez a melhor forma de viver parta exactamente do aceitar aquilo que como dissemos antes é a única certeza que temos desde o nosso nascimento: estamos a caminhar para a morte. Mas isto será tema para um próximo capítulo.

O que nos interessa neste momento é abordar este medo, a recusa da morte.

“Há pensamentos insuportáveis, coisas que não s confessam, especialmente a nós próprios. O terror de morrer; de deixar de existir; de ser varrido, aniquilado. De se acabar o tempo para a fazer o que queríamos[1]”.

O medo da morte é pois devido ao facto de a morte ser interrupção abrupta, violenta da vida. E quantas vezes não vem cedo demais, ceifando até aqueles que supostamente que ainda não tinham visto a sua hora chegar. Crianças; jovens; vítimas de acidentes; negligenciados; vítimas da violência;

É essa interrupção que assusta. A questão da morte está pois intimamente ligada à questão da vida. Não queremos morrer porque queremos viver, porque passamos toda uma vida em busca do sentido da vida e de uma realização pessoal. Anos investidos em estudos, carreiras; vidas de sacrifício para construir uma família e de repente a morte vem e tudo leva e todo o esforço até então vivido parece ter sido em vão.

Esta ligação parece pois paradoxal. A resposta aos anseios da vida, pode estar num enfrentar da própria morte. Diz o Dr. Irvin D. Yalom refere que “olhar a nossa própria morte é transformador e dissipa o medo. Embora a morte física nos destrua, a ideia da morte salva-nos[2]”.

E salva-nos porque nos obriga a tomar uma atitude.

Face à consciência do medo da morte a solução é “olhá-lo de frente, observá-lo, explorá-lo, testá-lo[3]” são maneiras mais eficazes de dominar o medo da morte do que quando se evita esse contacto.

A própria sociedade mudou na forma como se relaciona com a morte é uma questão cultural.

As crianças são ensinadas sobre a origem, o nascimento, concepção. E cada vez mais cedo. E assim encontramos crianças e adolescentes que sabem como  “se faz um bebé”, mas que não sabem o que aconteceu ao avó que nunca mais viram.

Nega-se o envelhecer. Há quase um pavor quase generalizado em ser velho. E verificamos as situações ridículas a que se sujeitam tantas pessoas na sua busca pela juventude perdida quando se submetem a numerosas intervenções cirúrgicas e cujo resultado é lamentável.

A própria morte é disfarçada, vejam-se as novas empresas funerárias que já prestam serviço de maquilhagem nos cadáveres.

A própria língua mudou, existem seguros de vida e não de morte; até os testamentos são de vida e não de morte.

Tudo serve para disfarçar o facto da morte.


[1] MOURA, Cláudia, A morte faz-nos tão bem in Notícias Magazine n.º 859 p.60; (Artigo sobre o Dr. Irvin D. Yalom a propósito do lançamento do seu livro intitulado: De olhos Fixos no Sol)

[2] MOURA, Cláudia, A morte faz-nos tão bem in Notícias Magazine n.º 859 p.60

[3] MOURA, Cláudia, A morte faz-nos tão bem in Notícias Magazine n.º 859 p.62