sexta-feira, 31 de outubro de 2008

É uma vida...

Hoje não fui trabalhar.
Fui até à escola do ano passado, prestar uma "homenagem" ao meu antigo orientador. Um homem de ideias fixas, que dedicou quase toda a sua vida ao ensino e que se reforma antes do tempo. Ficou surpreendido, comovido, não esperava ver-nos lá. Não esperava e não queria, porque é teimoso, uma despedida. Queria que a última aula fosse como as outras. Mas nós fomos assinalar aquele momento especial e ele gostou. E está cheio de projectos, porque os tempos da educação podem ser conturbados, mas ele não desiste. E vai escrever uns livros e continuar a passear pelo corredor da escola. E é nestas alturas que eu percebo o privilégio que tive de trabalhar com ele. O que aprendi e o que sou hoje que lhe devo a ele. E estou contente de lá ter ido. Porque vi os meus alunos, os meus colegas. Porque voltei atrás no tempo, que não foi assim tanto, e já está tudo diferente. É uma vida que passa dentro da vida.
E como disse o Professor tão bem: "Trabalhem e experimentem. Trabalho é dor e tudo se consegue com trabalho! Sigam o vosso caminho...".
E nós acreditamos que tudo é possível; que vamos conseguir o que queremos, que os tempos vão melhorar e que poderemos chegar à nossa última aula com a energia, dedicação e gosto com que ele chegou; olhando para trás e sentindo que valeu a pena.

Tão bom...


... tão bom que, apesar de breve, aqueceu a minha manhã :)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

coisas

porque há dias em que nos libertamose dizemos coisas
que para nós não tem mal.
porque as palavras em si não têm mal, são as pessoas que lhe colocam sentidos que muitas vezes são duvidosos.
e é isso que cria confusão e mal entendidos que depois provocam dorers tristezas e afins sem qualquer tipo de necessidade.
mas felizmente, há outro tipo de palavra que resolve o problema.
porque são palavras que valem por si e não tanto pelo sentido que as pessoas lhe colocam.
amizade. amor. perdão. cumplicidade. adoro-te. gosto de ti.
e assim remediamso aquilo que ás vezes não se sabe bem como começou, mas que de alguma maneira começou e acabou.
porque o amor vence tudo. e porque o sol brilha e a relva é verde, e o vento frio traz consigo saudades daquele abraço que te roubei no outro dia e que nucna te disse nem tu nunca percebeste, mas que foi super especial para mim.

Uma vez sem exemplo... II

Um vez sem exemplo, magoamos os nossos amigos que nos são mais queridos. Que se preocupam connosco e estão sempre lá. Uma vez sem exemplo, porque estas coisas não podem acontecer. Ficamos vazios e os outros também.
Desculpa :)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma vez sem exemplo...

Ando com esta frase na cabeça desde sexta-feira.
Uma vez sem exemplo...
Uma vez sem exemplo, comemos mais chocolate do que o "permitido", bebemos uns copos a mais, gastamos mais dinheiro que o previsto, "fugimos" às nossas responsabilidades ou excedemos o limite de velocidade.
Nunca, numa vez sem exemplo, agimos indo contra os nossos princípios e os dos que nos rodeiam. Porque essa vez sem exemplo é o suficiente para mudar a nossa vida como a conhecemos até então. E, mesmo na brincadeira, há coisas que não se devem "propor" uma vez sem exemplo...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

separados

Hoje é um daqueles dias depriementes.
Desde que estou em coimbra que isto me aocntece duas vezes por ano.
eu aqui em cima a vê-los lá ao longe, e eles lá em baixo alheios ao sofriemnto de quem os admira.
eles fazem o seu trabalho claro está e eu sonho com o dia em que poderei ir lá ter com eles...
a mim resta-me escutar os acordes e os ecos de uma noite que promete ser quente apesar do mau tempo.
meu caros, a vós que ireis fazer rock, eu vos saúdo!


Segunda-feira

Sou só eu que de há umas semanas para cá começo a semana tão cansada, que mais parece que ela devia estar a terminar??

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Rosa e os Índios VI

P.: Tu vens para a nossa sala amanhã, não é?
Eu: Sim.
P.: E o que vamos fazer?
Eu: É surpresa.
P.: E tu vens quando? Nós vamos dormir e depois acordamos e tu vens?
Eu: Não. Vocês vão dormir, acordam, estão com a vossa professora e eu venho.
P.: Oh! Mas podias vir logo tu. E é muito tempo de agora até tu vires?

*O P. tem 5 anos. É um terror e pelos vistos adora as aulas de ciências.

Para o Azul



* não dizer que eu sou má

dantes

Dantes, o tempo corria lento.

Tínhamos tempo para tudo.

O fim-de-semana nunca mais chegava. Era uma seca. Os anos não passavam e ansiávamos por crescer e ser mais velhos.

Queríamos que a barba aparecesse depressa para sermos homens!

Agora é uma dor de cabeça só dá trabalho a fazer. Quanto mais se corta mais forte fica e mais facilmente me estraga o colarinho das camisas e portanto mais a tenho que cortar, mas por isso mesmo mais me irrita a pele. Enfim.

O tempo passava devagar dava para tudo.

Hoje? Não existe tempo. Ou melhor, não existe aquela concepção que nos ensinaram na escola: passado m presente e futuro!

Só existe passado aquilo que já foi.

O futuro nunca chega, e o presente o que é? É um autêntico viver no fio da navalha. O presente é um segundo., vivemos nesta tensão do já e do ainda não. E nem nos apercebemos do que já passou. Então concentramo-nos no que vai vir. Para estarmos bem preparados mas quando damos por nós já passou! Já era.

E então encontramo-nos neste turbilhão de ideias e de coisas que passam por nós em alta velocidade sem que nos apercebamos de uma pequena, ínfima parte do que realmente existe.

Acordo de manhã e o ritual é sempre o mesmo. E quando dou por mim já me estou a levantar no mesmo dia, mas de uma semana diferente!

O tempo não dá para nada é sempre pouco para tanta solicitação. Quanto mais para aquilo que gostaria de fazer. Durmo a correr uns bocadinhos à noite e o estado de dia é sempre com uns olhos dignos de um soldador profissional. Sempre a contar o tempo e a aproveitar os pedacinhos todos.

Mas isto é alguma coisa?

Isto é viver?

Não era suposto a vida ser um pouco mais divertida, mais alegre?

Alguém em ajuda?

E depois a Rosa só goza comigo e com as condições de vida que tenho aqui onde tenho a minha cela… o meu catre, onde me refugio das tristezas do dia-a-dia. Onde sou dono de mim e onde ninguém me perturba nem me incomoda.

Enfim…

Isto deve conduzir-me a algum sítio não?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

a mosca...

Há dias em que comer aqui na minha casa ^(atenção que não é casa de família,l é tipo motel de naiconal, velho, podre e com maus serviço, só se aproveita a paisagem e alguns habitantes) é uma autêntica aventura.
Hoje foi um desses dias, a sopa, maravilhosa como de costuem, trazia um condimento especial!
Uma mosca, é verdade de tamanho médio, meio azulada, e coitada, morta.
Mas pior que uma mosca na sopa é haver uma mosca na sopa, duas refeições seguidas.
E pior ainda ser a mesma mosca.
Pois claro.
Ao almoço em forma de protesto, o sortudo do meu colega lá foi devolver a terrina À cozinha, mas não deve ter dito a nenhuma funcionária, os nossos chefes da casa também se estiveram marimbando para o assunto, porque na deles não tinha caído nada obviamente, e á noite lá vem a mesma sopa e a mesma mosca...
e esta ein?

Spiralling



*o meu novo vício. Graças ao Azul :)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

domingo, 19 de outubro de 2008

The “better” list, sempre incompleta



Boa em ter paciência para mim 24/24; 7/; 366/366(sim os nossos anos são diferentes das pessoas normais);

Boa no sorriso honesto e simples que tem;

Boa de coração;

Boa na simpatia com que trata as pessoas;

Boa, na voz carinhosa com que se expressa;

Boa, na forma tímida com que atura as minhas loucuras,

E boa na resposta que lhe dá a seguir;

Boa quando abre a porta de casa as tantas da manhã depois de uma breve passagem pelo Mc’ Donalds;

É a parceira ideal (leia-se de sonho) em actividades diversas tais como:

Actividades em acampamentos de escuteiros;

Cinema;

Concertos, inclui latada e queima;

Tardes agradáveis de primavera, verão, Outono e até mesmo de inverno numa qualquer esplanada discreta e agradável;

É óptima a levantar-nos a moral;

A estender a mão para nos tirar da fossa;

A lembrar-nos do nosso valor;

A dar-nos um empurrão para a frente;

A indicar-nos o brilho do sol no meio da pior das tempestades;

É boa para ver o David Fonseca e o Rui Veloso ao vivo;

É boa para comer tremoços e beber uns finos;

É boa a fazer-nos sentir gente;

É boa a fazer-nos sentir especiais;

É boa a fazer-nos sentir alguém;

É boa a conversar mesmo em silêncio;

É boa porque tem sempre uma palavra indicada em qualquer situação;

É boa porque é a amiga que queremos ter sempre por perto;

É a amiga que não se esquece do nosso aniversário;

Se fizessem um kit de sobrevivência em caso de catástrofe natural, ela faria parte dele;

 

Por motivos de poupança de espaço usamos o termo “boa”, mas pedimos que se repita a leitura do texto dando o sentido de “fantástica e extremamente magnífica” ao termo “boa”.


P.S. Vai buscar!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Rosa e os Índios V

A respeito do desenho animado Era uma vez o Corpo Humano - a Respiração...

Numa cena que mostrava a mitose dos bacilos.

A.:O que é que eles estão a fazer?

Eu: Estão-se a reproduzir. Os humanos têm bebés. As bactérias dividem-se.

M.: E o oxigénio faz bébes?

Eu; Não, o oxigénio é um gás que é essencial à nossa respiração e que é renovado graças às plantas e árvores.

D. (com 5 anos e a rir-se muito):Olha, e a boca, faz namorados?

Eu (depois de recuperar...): Não D., com a vida vais aprender que a boca não faz namorados.

Poesia Matemática

Às páginas tantas
de um livro de matemática
um nobre Quociente apaixonou-se
um dia, doidamente,
por uma bela Incógnita.
Olhou-a com uma expressão inumerável
e considerou-a do ápice à base como uma linha ímpar!
Olhos de Elipse, boca trapezóide,
cintura em parábola.
As suas vidas caminharam longo tempo paralelas até que se encontraram
no Infinito.
- “Como se chama?", indagou ele em certa ânsia radical.
- "Sou a raiz quadrada da soma do quadrado dos catetos,
mas pode tratar-me por Hipotenusa."
Conversaram um pouco e logo descobriram que eram
primos entre si, o que quer dizer em aritmética, que se entendiam muito bem. E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa potência elevada à sexta, traçando ao sabor do momento
e da paixão,
rectas, curvas, círculos e linhas sinosóidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das Formas Euclidianas
e os partidários do Universo Finito.
Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar
constituir um lar!
(Mais que um lar - uma perpendicular)
convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bisscetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro,
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
Passados anos tiveram uma Secante e três Conezinhos
muito engraçados.
E foram felizes,
até aquele dia
em que tudo se transforma em monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos e viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um Denominador Comum.
O Quociente percebeu então (os quocientes são sempre os últimos a saber…) a existência do triângulo chamado amoroso.
Nesse problema a Incógnita era uma fracção das mais ordinárias.
Mas aconteceu que Einstein chegou a propósito e descobriu a Relatividade,
e tudo que era mau passou a ser
moralidade
(como aliás em qualquer
sociedade).

Millôr Fernandes

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Viagem



Abraça-me

Leva-me para um mundo só teu

Onde não há mal, nem dor nem nada que atormente os nossos dias

E onde as flores nunca murcham

As cores são mais vivas

Onde não precisamos de ter medo nem de nos fazer fortes

Só temos que ser nós

Iguais a nós mesmos

Mesmo com medo

Mas ali não há medo

Ali não é preciso ter medo

O sol é morno e até a chuva à agradável

A chuva lava-nos as tristezas quando chegamos

O vento sopra as nossas mágoas para bem longe

Vem o sol e lambe-nos a cara provocando um sorriso

E ali os sorrisos são todos como os das crianças

Alegres sentidos e felizes

E ali não precisamos de nos trancar no quarto

Pensamos em alguém ou nalgum lugar onde queremos estar,

Fechamos os olhos e quando os abrimos lá estamos na companhia dos amigos.

Abraça-me, se me abraçares eu abraço-te e assim vamos junto como um só

E podemos partilhar a mesma nuvem

E assim podíamos correr o mundo como sonhámos

Vamos onde sempre quisemos ir mas onde a chuva de Maio nunca nos deixou ir.

Podemos correr os cinco continentes, visitar todos os sítios que sempre quisemos mas que estiveram sempre longe.

Abraça-me e voaremos juntos. Ninguém se vai importar. Ninguém vai saber. E ninguém vai sentir a nossa falta.

Porque se me abraçares e quiseres vir comigo vamos correr o mundo num instante e um instante não é nada.

Ninguém vai reparar. Mas para nós vai ser o tempo perfeito para realizar os nossos sonhos mais secretos.

Abraça-me e não haverá nada nem ninguém que nos impedirá de ser quem somos

Naquele sitio onde as flores são mais bonitas, o céu é mais azul e o mar é mais tranquilo…

 

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A Rosa e os Índios IV

Não pensem os nossos queridos visitantes que no mundo dos índios só há confusão…

Vejam lá esta conversa…


M.:”Professora eu sou namorada do P. Posso-me sentar ao pé dele?”.

R.:”E o R. é o namorado da J. mas estão chateados desde o recreio.”

F.:”E o J. é namorado da M. I.”

Eu:”Mas a M.I. é do 1º ano.”

J.: “Sim, ela é do 1º ano e ele do 3º e são namorados.”


E a felicidade deles, a rirem-se sem metade dos dentes… lol

No meu tempo não era nada assim.


Claro que depois começaram a descambar e a falar dos gays e que dois miúdos eram namorados um do outro e a coisa teve que ficar por ali…


E como será quando chegar a Primavera??


Ah e hoje deram-me outro desenho.

Há dias felizes...

Não resisti...

*via e-mail

Assunto: A matrícula que todos adorariam ter...


Eu no meu ano de caloira fui vestida de 69 na latada. Para esquecer... Com uma matrícula destas não andava de carro lol

Se bem que a sociedade agradecia...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

The smallest list*

O meu amigo P. conhecido nestas lides por Azul é:
- bom, bom , bom, …, bom amigo;
- bom ouvinte e conversador;
- bom bem-humorado;
- bom a manter a boa disposição;
- bom a sacar filmes e músicas da net;
- bom a tirar fotografias;
- bom a fazer cartazes, panfletos e afins;
- bom escritor (não se nota bem a diferença?);
- bom garfo;
- bom a conduzir;
- bom a escolher filmes;
- bom para passar uma tarde/serão agradável;
- bom para passear;
- bom companheiro de loucura;
- bom a fazer carbonara (não queres repetir??);
- bom a aturar os "índios" dele;
- bom na argumentação;
- bom a pensar e ponderar;
- e ele diz que é bom noutros domínios mas isso eu não sei… lol

Pensando bem isto podia passar tudo a muito bom ou até excelente…

*como tu escolheste

No msn

Eu digo: oh M.

eu digo:escreve-se bostique ou bostike?

eu digo: sabes?

Vurmelha diz: :s

Eu digo: n acho na net

Vurmelha diz: o nome tecnico é "massa adesiva removível"

Vurmelha diz: é o que diz a embalagem da uhu

Vurmelha diz: uhu tac patafix

Eu digo: lol

Eu digo: obrigada

Eu digo: és uma querida

Vurmelha diz: de nada

Eu digo: é por isso que tu vais ser doutora com as letras todas

* é que a minha amiga M. conhecida aqui por Vurmelha vai fazer doutoramento e desenvolver um projecto muito à frente que passa pelos autocarros andarem sem motorista :)

Leonel e os índios dele

O Leonel, é um amigo meu, que até à pouco tempo vivia comigo. Mas quis o destino ou outra força Maior que ele deixasse o nosso curos e vltou a execer a sua profissão de professor de matemática e e ciênci.
Está neste momento a dar aulas em Lisboa num desses bairros jeitosos repletos de miúdos bem educados e simpáticos.
Pois estava ele na aula e na apresentação perguntou aos meninos o que gostavam eles de fazer na aulas.
Ao que responde uma míuda:
(peço desde ja desculpa pela linguagm obscena, mas trata-se de uma citação)
-"Uma punheta!"
ao que acrescenta uma outra:
-"Chupar!"
Minha querida rosa, não és a única!

Aqui fica uma música para ti, Leonel, amigo, abraço esta é para ti também:

P.S. eu disse que ele está a dar aulas a uma turma de sexto ano?

A Rosa e os Índios III

Eu:”Façam como eu. Sentem-se no vosso lugar.”

J.:”O lugar da professora é em casa.”.


G.:”Eu acho que o melhor é vir outra professora de ciências.”


G.:”As aulas de ciências são uma seca.”

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ah pois é....

Já pensaram o quão insignificantes somos?

Sim. Já pensaram que não somos nada?

Isto é, se morrermos a sociedade não dá por nossa falta. A humanidade então nem pestaneja. Passa bem sem nós.

Que sentido então para nós?

Uma questão de sobrevivência?

É estranho não é?

Isto leva-me a pensar que se calhar damos demasiado valor a nós mesmos. À nossa vidinha aquilo que fazemos. Sempre armados em formigas a ajuntar a ajuntar sem parar. E para quê?

Complicado. Complicado e estranho.

Acho que no fundo devemos fazer o melhor que podemos. Sem abusar. Sem esquecer as pequenas coisas, um pequeno pormenor: um sorriso a um estranho na rua; um olá a um amigo que não vemos à muito tempo; dizer gosto de ti todos os dias quem amamos de verdade;

É isso que fica depois de nós. É isso que temos que aproveitar ao máximo. O resto é necessário mas não o mais importante.

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos

sábado, 11 de outubro de 2008

Estás só. Ninguém o sabe.

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada 'speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis

Portions for foxes



*da banda sonora da Anatomia de Grey.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

...apetece-me...

O Homem do leme

Sozinho na noite 
Um barco ruma, para onde vai? 
Uma luz no escuro 
Brilha a direito, ofusca as demais 

E mais que uma onda, mais que uma maré 
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé 
Mas vogando á vontade, rompendo a saudade 
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme 

E uma vontade de rir 
Nasce no fundo do ser 
E uma vontade de ir 
Correr o mundo e partir 
A vida é sempre a perder 

No fundo do mar 
Jazem os outros, os que lá ficaram 
Em dias cinzentos 
Descanso eterno lá encontraram


letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

...

Quando as palavras não chegam ou simplesmente não querem sair;
Porque há dias em que não nos apetece nada e queremos tudo;
porque há dias em que nos sentimos mal por sermos como somos
mas sabemos que é assim que devemso ser, mesmo que sejamos usados e esquecidos
como se fossemos uma puta.
mas a essas senhoras ainda pagam, e a nós (leia-se eu) eu apanho pontapés e bocas foleiras
sobre o viver em comunidade e colocar tudo em comum.
fico-me com a música, e o seu poder extraordinário que tem de mexer com as nossas emoções,
os nossos sentimentos, o nosso coração...
grande David, sabe fazê-lo com mestria e arte, abram alas para «one men show»...


terça-feira, 7 de outubro de 2008

Mudanças




*porque os outros mudam (para melhor?) e nós perdemos bocadinhos de nós. E ficamos felizes pelas boas oportunidades deles e tristes pelas ausências. Mas sempre cada vez mais inseguros no futuro...

A Rosa e os Índios II

K.: Olha, fiz para ti...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Homesick



I've been walking in the same way as I did
Missing out the cracks in the pavement
And tutting my heel and strutting my feet
"Is there anything I can do for you dear? Is there anyone I can call?"
"No and thank you, please Madam. I ain't lost, just wandering"

Round my hometown
Memories are fresh
Round my hometown
Ooh the people I've met
Are the wonders of my world
Are the wonders of my world
Are the wonders of this world
Are the wonders of my world

I like it in the city when the air is so thick and opaque
I love to see everybody in short skirts, shorts and shades
I like it in the city when two worlds collide
You get the people and the government
Everybody taking different sides

Shows that we ain't gonna stand shit
Shows that we are united
Shows that we ain't gonna take it
Shows that we ain't gonna stand shit
Shows that we are united

Round my hometown
Memories are fresh
Round my hometown
Ooh the people I've met

Are the wonders of my world

Adele

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Remar Remar

Depois de um daqueles dias, a Rosa, na sua infinita bondade e paciência, recordou-me um dos meus maiores ídolos: os senhores comendadores Xutos & Pontapés;
E postou aquela música fantástica que é de facto a cara destes senhores e que se aplica ao estado de espírito com que ficamos muitas vezes e a resposta não podia ser melhor:
Remar, remar, forçar a corrente!
Haja o que houver, venha o que vier, nós continuamso firmes e hirtos, tesos sem dar parte fraca.
Sim, às vezes temos os nossos momentos de fraqueza, mas há uma Força maior (hoje em dia dizem Força, têm vergonha de dizer Deus), que nos amapara e lá mete a mão sob inúmeras formas. Ontem foi a música da Rosa e um ou outro amigo (sim tu sabes quem foste), que nos aparecem e se colocam ao nosso lado. Agarram o remo e fazem como o Kalú: batem o ritmo com força e paixão de quem ama o que faz. Neste caso, com a força e a paixão de quem ama um amigo. e agarram o remo e nos mostram que não há maré que nos vença!

Less dark more blue...