Passamos uma vida a fazer projectos.
À procura do nosso lugar no mundo, do nosso sentido, da nossa vocação, da felicidade, chamem-lhe o que quiserem. A verdade é que andamos sempre à procura.
E quando encontramos?
Dizia uma personagem de um dos meus filmes favoritos dos últimos tempos “sou como um cão que persegue carros, persigo-os, mas se os alcançasse não saberia o que fazer”.
Temo que infelizmente sejamos um pouco assim, tanto procuramos, tantos planos fazemos, mas quando lá chegamos, o medo instala-se, as dúvidas surgem como abutres no deserto.
Hoje é o meu último dia de aulas daquele que é o penúltimo ano de estudo, para o ano é o fim da preparação para o futuro que escolhi. Já vai ser o lançamento, como diz o Godinho é o primeiro dia do resto da minha vida. E sinto um calafrio, arrepio-me todo de pensar no que ai vem.
Não me sinto preparado. Quero-o. Mas não sei se sou capaz. Sinto-me pequenino, tal como fica o meu coração quando penso no que aí vem. A responsabilidade, o desafio… tudo deixa de ser um sonho e passa a ser realidade.
Tanto que queria que deixasse de ser um sonho, que deixasse a fase do projecto mas agora que finalmente chego ao fim, sinto que não me preparei devidamente, sinto que os meus planos estão todos errados e que eu estou perdido. Não me sinto capaz de erguer o plano que ansiei para mim.
Sempre tive noção de que havia dado um salto no escuro. De cabeça, tinha medido as distâncias. Mas tão alto era o salto que acho que no fundo nem tinha noção de que iria ter que enfrentar o chão. E quando pensava nisso confiava que ou me nasceriam asas e eu poderia planar suavemente (ou não) até ao chão; ou então eu aprenderia a voar como vemos nos filmes; mas eu não sou de acreditar no filmes, pelo menos dos super poderes e assim. Sonho com eles apenas isso. Por isso a minha predilecção pelo morcego, não tem super-poderes, conta consigo.
No meio do salto imaginei que teria ao menos uma capa como a dele, e talvez um fato como o dele para enfrentar a queda.
Agora percebo, ele tem o dele e eu terei que arranjar o meu, não terei o Mr. Fox, não terá tecnologia de ponta, nem será super fixe.
Mas vai ter que funcionar melhor.
O fim aproxima-se e já vejo o chão sorrir para mim, é altura de fazer força e preparar-me…
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