Todos temos um conjunto vazio, que contém os elementos vazios das nossas vidas e que, apesar de vazio, vai crescendo com o passar do tempo. Alguns dos elementos deste conjunto (que não deixa de ser vazio por ter elementos) são as nossas tristezas e frustrações, a falta de quem partiu e não volta, os nossos medos e incertezas, a falta de alguém especial/um "encosto humano", aquele amigo/familiar/conhecido que se perdeu não se sabe muito bem porquê, as discussões sem sentido em que perdemos o controle ou as nossas feridas e as que provocamos aos outros.
Quando estes elementos se apoderam de nós ficamos ainda mais vazios e sós. Apercebemo-nos de que somos maus e mesquinhos. De que podemos desejar o mal a alguém. Não somos tão perfeitos como pensávamos, afastamo-nos das pessoas e deixamos que elas se afastem de nós, não temos disponibilidade para ouvir ou falar. Magoamo-nos e pior do que isso, magoamos aqueles de quem mais gostamos, os que nos são mais próximos e nos apoiam. Somos como achamos que alguns dos outros são para nós e não gostamos. A nossa consciência fica pesada, dói-nos algo cá dentro mas depois voltamos ao mesmo. Porque temos a nossa vida, os nossos preconceitos e ideias fixas, o nosso orgulho, os nossos problemas e angústias e esquecemo-nos dos outros e de ser com os outros.
E assim o ciclo repete-se e o vazio só aumenta em nós.
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