quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O futuro ….

- É já ali ao lado!?
Quando no espaço de quinze dias a nossa vida muda quinze vezes, o futuro não é risonho. A vida é dura, mesmo para quem não é mole. Porque nós decidimos o nosso caminho de acordo com a precariedade que significa ser um professor recém-licenciado em Portugal. Vamos a entrevistas, aceitam-nos umas horas num centro de explicação, inscrevemo-nos em mestrado (para termos sempre algo que fazer) e depois aparecem aquelas oportunidades de que não estávamos à espera; oportunidades que nos dão tempo de serviço e experiência e prometem ser divertidas, mas que não deixam de ser precárias e injustas. Actividades que não oferecem segurança, que nos obrigam a trabalhar a recibos verdes. Mas os recibos verdes são o “café” do dia-a-dia. E de repente deixamos de conseguir ver e de saber o que fazer, o que escolher. O facto dos pais não acharem piada às nossas escolhas também não ajuda. Eu até compreendo, eles têm que nos continuar a sustentar para nós podermos ir trabalhar, mas não ajuda, atrapalha. Resta-nos experimentar, ir à aventura e esquecermo-nos que meio mundo, com quem falamos, a quem perguntamos a opinião está a pensar:”Não sejas estúpida! Tens sorte. Mais vale isso que nada. A X ainda não tem nada…”. Porque nós trabalhamos a pensar no futuro e continuamos a estudar a pensar no futuro, para termos alternativas. Ambas têm custos, prós e contras… Mas como me disseram no outro dia, experimentamos. Se não der logo se vê. E eu gostava de consegui dormir e não me preocupar tanto, mas não consigo. A entrada na pseudo-vida profissional é dura. Já desisti de um plano mais ou menos fixo… vou experimentando.
Hoje vou conhecer os meus índios, que muito provavelmente me farão a vida negra...


*sim, eu sei que quem não tem nada está pior.

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