Dantes, o tempo corria lento.
Tínhamos tempo para tudo.
O fim-de-semana nunca mais chegava. Era uma seca. Os anos não passavam e ansiávamos por crescer e ser mais velhos.
Queríamos que a barba aparecesse depressa para sermos homens!
Agora é uma dor de cabeça só dá trabalho a fazer. Quanto mais se corta mais forte fica e mais facilmente me estraga o colarinho das camisas e portanto mais a tenho que cortar, mas por isso mesmo mais me irrita a pele. Enfim.
O tempo passava devagar dava para tudo.
Hoje? Não existe tempo. Ou melhor, não existe aquela concepção que nos ensinaram na escola: passado m presente e futuro!
Só existe passado aquilo que já foi.
O futuro nunca chega, e o presente o que é? É um autêntico viver no fio da navalha. O presente é um segundo., vivemos nesta tensão do já e do ainda não. E nem nos apercebemos do que já passou. Então concentramo-nos no que vai vir. Para estarmos bem preparados mas quando damos por nós já passou! Já era.
E então encontramo-nos neste turbilhão de ideias e de coisas que passam por nós em alta velocidade sem que nos apercebamos de uma pequena, ínfima parte do que realmente existe.
Acordo de manhã e o ritual é sempre o mesmo. E quando dou por mim já me estou a levantar no mesmo dia, mas de uma semana diferente!
O tempo não dá para nada é sempre pouco para tanta solicitação. Quanto mais para aquilo que gostaria de fazer. Durmo a correr uns bocadinhos à noite e o estado de dia é sempre com uns olhos dignos de um soldador profissional. Sempre a contar o tempo e a aproveitar os pedacinhos todos.
Mas isto é alguma coisa?
Isto é viver?
Não era suposto a vida ser um pouco mais divertida, mais alegre?
Alguém em ajuda?
E depois a Rosa só goza comigo e com as condições de vida que tenho aqui onde tenho a minha cela… o meu catre, onde me refugio das tristezas do dia-a-dia. Onde sou dono de mim e onde ninguém me perturba nem me incomoda.
Enfim…
Isto deve conduzir-me a algum sítio não?
1 comentário:
O teu post traduz bem o ritmo de vida actual… O já e o imediato.
Quanto à questão do gozo, eu não estava a gozar-te. Estava a mostrar-te o lado positivo da questão
E sim, vamos dar a algum lado. Eu também não sei onde…
Só uma coisita, tu não és bem dono de ti próprio. Tu és com os outros…
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